Dra. Ananda Falcone
Neurologista
Tratamento de Parkinson e Distúrbios do Movimento em São Paulo
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Índice
- O que é Parkinson?
- Causas da doença de Parkinson
- Sintomas mais comuns
- Como é feito o diagnóstico
- Exames clínicos e neurológicos
- Medicamentos disponíveis
- Mais sobre a Levodopa
- Tratamentos de Doença Avançada
- Mais sobre DBS
- Dicas para pacientes e familiares
- Qual a diferença entre doença de Parkinson e Parkinsonismo
O que é Parkinson?
A Doença de Parkinson é uma condição degenerativa do cérebro relacionada à idade, em que algumas áreas do cérebro vão se deteriorando ao longo do tempo.
Ela ocorre quando certas células cerebrais — principalmente na substância negra, responsável pela produção de dopamina — começam a se degenerar ao longo do tempo.
Essa perda de dopamina causa os sintomas típicos da doença:
🔹 Tremores (geralmente em repouso, iniciando de um lado do corpo);
🔹 Rigidez muscular;
🔹 Lentidão dos movimentos (bradicinesia);
🔹 Alterações no equilíbrio e na postura.
Além dos sintomas motores, o Parkinson também pode causar alterações de sono, humor e olfato, entre outros sintomas não motores.
A maioria dos casos ocorre por razões desconhecidas, embora alguns possam ser hereditários. Atualmente, a doença não tem cura, mas existem diversas opções de tratamento que ajudam a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.
💬 Se você ou um familiar notou tremores, rigidez ou lentidão de movimentos, procure um neurologista especializado em Parkinson para uma avaliação detalhada.
Por: Ananda Falcone
RQE 199600
Neurologista Especialista em Doença de Parkinson em São Paulo
Causas da Doença de Parkinson
Na maioria dos casos, o Parkinson é idiopático, ou seja, não há uma causa única identificável. Acredita-se que fatores genéticos e ambientais possam contribuir para o surgimento da doença.
🔹 Parkinson idiopático
No tipo mais comum, o Parkinson está relacionado a um mau dobramento da proteína alfa-sinucleína, que se acumula nas células nervosas formando os corpos de Lewy. Esse acúmulo interfere na comunicação entre os neurônios e leva aos sintomas motores e cognitivos.
🔹 Parkinson genético
Apenas cerca de 10% dos casos são hereditários. Pesquisas identificaram mutações em genes como LRRK2, PARK2, PINK1 e SNCA, que podem causar formas familiares ou de início precoce da doença, geralmente antes dos 50 anos.
🔹 Fatores ambientais
Exposição a toxinas, pesticidas e metais pesados, além de traumas cranianos repetitivos, também pode aumentar o risco de desenvolver Parkinson.
🔹 Embora ainda não exista forma comprovada de prevenção, manter um estilo de vida saudável — com atividade física regular, sono adequado e acompanhamento médico periódico — pode contribuir para o bem-estar geral e neuroproteção
🔹 O Parkinson é contagioso?
Não. A Doença de Parkinson não é contagiosa e não pode ser transmitida de pessoa para pessoa.
🔹 Quando procurar um neurologista
Procure um neurologista especialista em distúrbios do movimento se houver:
- Tremor persistente em repouso;
- Dificuldade para andar ou realizar tarefas simples;
- Rigidez ou lentidão progressiva nos movimentos;
- Dúvida sobre diagnóstico ou resposta irregular à medicação.
O diagnóstico precoce é fundamental para iniciar o tratamento adequado, preservar a autonomia e manter a qualidade de vida.
Por: Ananda Falcone
RQE 199600
Neurologista Especialista em Doença de Parkinson em São Paulo
Sintomas mais comuns da Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson afeta principalmente os movimentos, mas também pode impactar outras funções do corpo. Reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para um diagnóstico rápido e iniciar o tratamento Parkinson adequado com um neurologista especializado.
Os sintomas mais comuns incluem:
🔹 Tremores: movimentos involuntários, geralmente nas mãos, dedos ou mandíbula, que acontecem em repouso.
🔹 Rigidez muscular: músculos endurecidos ou tensos, dificultando movimentos naturais.
🔹 Bradicinesia: lentidão nos movimentos, tornando tarefas simples mais demoradas.
🔹 Alterações na postura e equilíbrio: dificuldade para manter a postura ereta e risco maior de quedas.
🔹 Alterações na fala e escrita: a voz pode ficar mais baixa ou monótona, e a escrita tende a se tornar menor e mais difícil de ler.
🔹 Sintomas não motores: alterações de sono, constipação, alterações de humor e diminuição do olfato.
🧠 Quando procurar um neurologista
Se você ou um familiar apresentam tremores, rigidez ou lentidão de movimentos, é importante buscar avaliação com um neurologista especializado em Parkinson. Um diagnóstico precoce permite iniciar tratamentos que incluem medicação, fisioterapia, terapias complementares e, em casos indicados, DBS (Estimulação Cerebral Profunda).
🧠 Importância do acompanhamento regular
O acompanhamento contínuo com um neurologista para Parkinson ajuda a monitorar a evolução da doença, ajustar medicações e planejar intervenções para melhorar movimentos, equilíbrio e qualidade de vida.
🧠 Sintomas mais comuns da Doença de Parkinson
A Doença de Parkinson afeta principalmente os movimentos, mas também pode causar alterações em outras funções do corpo. Reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para buscar avaliação com um neurologista especialista em Parkinson e iniciar o tratamento o quanto antes.
Os sintomas variam de pessoa para pessoa, e geralmente começam de forma leve e assimétrica (afetando mais um lado do corpo). Com o tempo, tendem a evoluir lentamente.
Sintomas motores (de movimento)
🔹 Tremor em repouso
É o sintoma mais conhecido do Parkinson. Costuma começar em uma mão, braço ou mandíbula, e aparece quando o membro está em repouso. Pode diminuir durante o movimento ou o sono.
🔹 Rigidez muscular
Os músculos ficam tensos e duros, dificultando movimentos naturais e causando dor ou sensação de “travamento”. A rigidez pode afetar braços, pernas, pescoço e até o rosto.
🔹 Lentidão dos movimentos (bradicinesia)
O paciente sente-se mais lento para iniciar ou completar movimentos — vestir-se, escrever ou caminhar pode levar mais tempo. Essa lentidão é um dos sinais mais marcantes do Parkinson.
🔹 Alterações na postura e no equilíbrio
A postura tende a se inclinar para frente e há maior risco de quedas. O caminhar pode se tornar arrastado, com passos curtos e dificuldade de virar o corpo.
🔹 Alterações na fala e na escrita
A voz pode ficar mais baixa, monótona ou trêmula, e a letra se torna menor e difícil de ler (micrografia).
Sintomas não motores
O Parkinson não afeta apenas o movimento. Antes mesmo dos tremores, podem aparecer sintomas sutis, conhecidos como sinais precoces:
🔹 Distúrbios do sono (como movimentos noturnos involuntários ou sonhos muito vívidos);
🔹 Perda do olfato (anosmia);
🔹 Constipação intestinal;
🔹 Alterações de humor, como depressão e ansiedade;
🔹 Fadiga e sonolência excessiva;
🔹 Diminuição da motivação (apatia);
🔹 Alterações cognitivas leves, em fases mais avançadas.
Esses sinais podem aparecer anos antes dos sintomas motores e ajudam o especialista a reconhecer a doença mais cedo.
🔹 Quando procurar o neurologista
Procure um neurologista especialista em distúrbios do movimento se você ou um familiar apresentar:
- Tremores persistentes ou lentidão nos movimentos;
- Dificuldade para realizar tarefas simples do dia a dia;
- Rigidez muscular ou desequilíbrio frequente;
- Alterações de sono, humor ou perda de olfato inexplicável.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular permitem ajuste personalizado das medicações, melhor controle dos sintomas e mais qualidade de vida.
🧠 Com tratamento adequado, fisioterapia e acompanhamento especializado, é possível manter independência e qualidade de vida mesmo com o diagnóstico de Parkinson.
Diagnóstico da Doença de Parkinson
O diagnóstico da Doença de Parkinson é principalmente clínico, ou seja, depende de uma avaliação detalhada por um neurologista especializado em Parkinson. O médico examina os sintomas, analisa o histórico médico e faz perguntas específicas para entender a evolução da doença.
Embora existam exames laboratoriais e de imagem, na maioria dos casos eles são usados apenas para descartar outras condições que possam causar sintomas semelhantes, conhecidos como parkinsonismos.
Como é feito o diagnóstico?
O neurologista avalia principalmente:
- Tremores, rigidez e lentidão de movimentos (bradicinesia)
- Alterações na postura, equilíbrio e coordenação
- Sintomas não motores, como alterações de sono e humor
A observação desses sinais, combinada com o histórico clínico, geralmente é suficiente para confirmar o diagnóstico Parkinson.
Exames complementares
Em alguns casos, o especialista pode solicitar exames para descartar outras causas ou investigar condições genéticas:
Exames de imagem
- Ressonância Magnética (MRI) e Tomografia Computadorizada (CT): verificam alterações estruturais no cérebro.
- PET scan: avalia o funcionamento cerebral e a dopamina.
Testes genéticos
Podem identificar formas hereditárias da doença ou predisposição ao início precoce do Parkinson.
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Novos testes para diagnóstico precoce
O diagnóstico clínico da doença de Parkinson nem sempre é fácil, para isso o neurologista especializado pode precisar utilizar alguns exames adicionais para o diagnostico mais preciso. Alguns dos testes são:
- Ultrassonografia transcraniana (USG)
- Avalia a hiperecogenicidade da substância negra, um achado frequente em pacientes com Parkinson.
- Útil em casos iniciais ou incertos podendo diferenciar por exemplo Doença de Parkinson de Tremor Essencial
- Ressonância magnética de 3T para avaliação de neuromelanina e Nigrossoma 1
Permite visualizar diretamente a substância negra e sua concentração de neuromelanina.
- A redução da neuromelanina é consistente com a degeneração dopaminérgica e ajuda a diferenciar Parkinson de outras síndromes parkinsonianas.
- Tomografia por emissão de fóton único (SPECT)
- Avalia a captação de dopamina pelos neurônios da substância negra e corpo estriado.
- Útil para diferenciar Parkinson de tremor essencial ou parkinsonismos atípicos, quando o diagnóstico clínico não é evidente.
- Ressonância magnética convencional
- Exclui causas secundárias de parkinsonismo, como tumores, acidentes vasculares ou doenças estruturais.
- Essencial para descartar outras condições antes de confirmar o diagnóstico.
- Biópsia de pele
- Detecta depósitos de alfa-sinucleína, proteína que se acumula nos neurônios no Parkinson.
- Principalmente utilizada em pesquisa ou em casos atípicos, complementando a avaliação clínica e de imagem.
Apesar de todos os avanços, nenhum exame substitui a avaliação clínica especializada. O diagnóstico de Parkinson continua sendo baseado na história detalhada, exame neurológico completo e observação cuidadosa da evolução dos sintomas.
Tratamentos e medicamentos para Doença de Parkinson
O tratamento da doença de Parkinson pode ser dividido em medicações que agem diretamente na doença e medicações que aliviam sintomas específicos.
- a) Medicamentos que aumentam dopamina
- Levodopa: o mais eficaz, aumenta os níveis de dopamina no cérebro.
- Pode ser combinado com outros fármacos para reduzir efeitos colaterais como náuseas e hipotensão.
- b) Agonistas dopaminérgicos
- Simulam a dopamina, permitindo adiar o início da levodopa, especialmente em pacientes jovens.
- c) Inibidores da metabolização da dopamina
- Evitam a degradação da dopamina, prolongando seu efeito.
- d) Inibidores da metabolização da levodopa
- Mantêm a levodopa ativa por mais tempo, sendo especialmente úteis em fases avançadas da doença.
- e) Bloqueadores de adenosina
- Auxiliam no efeito da levodopa, contribuindo para melhora motora.
- f) Tratamento de sintomas específicos
- Disfunção sexual, fadiga, constipação, distúrbios do sono, depressão, ansiedade, demência, alucinações e psicose podem ser tratados com medicações específicas.
Mais sobre a Levodopa
A levodopa é o tratamento mais eficaz para a doença de Parkinson, sendo utilizada há décadas para controlar os sintomas motores. Separei as respostas para algumas das perguntas mais comuns que recebo no consultório
- Como a levodopa funciona?
- A levodopa é convertida em dopamina no cérebro, substituindo a dopamina que os neurônios deixaram de produzir.
- Isso melhora tremores, rigidez e lentidão de movimentos, os principais sintomas motores da doença.
- Quais são os efeitos da levodopa?
- Redução do tremor, rigidez e lentidão.
- Melhora da capacidade de caminhar, se levantar e realizar tarefas diárias.
- Efeito rápido em comparação a outros medicamentos dopaminérgicos.
- Melhora de sintomas não motores da doença
- Quanto tempo leva para fazer efeito?
- Em geral, o efeito começa 30 a 60 minutos após a ingestão, podendo variar conforme a dose, forma farmacêutica e presença de alimentos no estômago.
- A levodopa deixa de funcionar com o tempo?
- Não. A levodopa continua funcionando, mas à medida que a doença progride, os sintomas podem variar em intensidade ou reaparecer entre doses.
- Flutuações motoras (“on” e “off”) refletem a evolução do Parkinson, não a ineficácia do medicamento.
- Quais são os efeitos colaterais mais comuns?
- Náusea e vômitos.
- Tontura ou queda de pressão ao se levantar (hipotensão ortostática).
- Movimentos involuntários (discinesias) em uso prolongado.
- Alterações de sono ou sonolência.
- Pode ser usado em combinação com outros medicamentos?
- Sim. Medicamentos como inibidores de COMT ou MAO-B prolongam a ação da levodopa.
- Agonistas dopaminérgicos podem ser usados para otimizar o efeito.
- Medicações de uso habitual podem ser usadas em conjunto, com algumas exceções, por isso sempre informe seu médico sobre todas as medicações em uso
- Preciso tomar em horários exatos?
- Sim. Respeitar horários e doses prescritas é essencial para manter o efeito estável e minimizar flutuações.
- Existe risco de toxicidade?
- Em geral é uma medicação segura, mas para manter a segurança deve ser tomada da maneira exata prescrita pelo neurologista
- O que fazer se os sintomas voltarem entre doses?
- Isso pode indicar progressão da doença, não falha da levodopa.
- Possíveis estratégias:
- Ajustar doses e horários.
- Associar outros medicamentos dopaminérgicos.
- Avaliar indicações para estimulação cerebral profunda ou terapias complementares.
Tratamentos para Doença Avançada de Parkinson
Quando a doença de Parkinson progride, os sintomas motores e não-motores podem se tornar mais complexos e menos controláveis apenas com medicação oral. Nessa fase, o objetivo do tratamento é manter a mobilidade, reduzir flutuações motoras e melhorar a qualidade de vida.
- Ajuste e combinação de medicações
- Em fases avançadas, a levodopa continua sendo o principal tratamento, mas frequentemente é necessário fracionar doses ao longo do dia ou combiná-la com outros fármacos:
- Agonistas dopaminérgicos
- Inibidores de COMT e MAO-B
- O ajuste fino das medicações ajuda a reduzir períodos de “off” (quando os sintomas reaparecem) e discinesias.
- Terapias cirúrgicas
- Estimulação cerebral profunda (DBS): indicada para tremor refratário ou flutuações motoras incapacitantes.
- Terapias com Lesões pelo Ultrassom Focado (HIFU)
- Terapias Infusionais
- Existem tratamentos de infusão contínua de levodopa ou apomorfina. No Brasil com a perspectiva de em breve iniciarmos a infusão subcutânea de foslevodopa
- Controle de sintomas não-motores
- Depressão, ansiedade, distúrbios do sono, constipação e disfunção autonômica requerem tratamento específico e individualizado, muitas vezes com apoio multidisciplinar.
- Abordagem multidisciplinar
- Fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia desempenham papel crucial para manter independência e qualidade de vida.
- O acompanhamento de nutricionista e psicólogo também é importante, considerando a complexidade da doença avançada.
- Tratamentos experimentais
- Transplante de células-tronco: substitui neurônios dopaminérgicos danificados.
- Terapias genéticas: corrigem mutações associadas ao Parkinson e podem potencializar efeitos da levodopa.
Estimulação cerebral profunda (DBS)
- Técnica avançada que utiliza um dispositivo implantado para enviar corrente elétrica ao cérebro, modulando áreas afetadas pela doença.
- Reversível, diferente de cirurgias de lesão cerebral
- Indicada em fases avançadas ou quando tremores não respondem às medicações.
- Produzem Resposta duradoura de melhora de sintomas motores em média de 70%
- Produzem melhora de sintomas não motores como sono, dor e humor
- Não são indicados para pacientes com idade avançada ou com problemas de memória
- Não mudam a progressão da doença, mas melhoraram a qualidade de vida
- Estudos de longo prazo mostram que pacientes com DBS apresentam mais funcionalidade e qualidade de vida após 10 anos da cirurgia comparados a pacientes que não realizaram o procedimento
- Não é um substituto da medicação, é um tratamento adicional
- Etapas da indicação, cirurgia e ajustes pós cirúrgicos devem ser rigorosamente seguidas para o sucesso da terapia
- A cirurgia cerebral é realizada apenas uma vez
- A troca de bateria recarregável é aproximadamente cada 15 anos e as não-recarregáveis a cada 3 a 5 anos, mas este é um procedimento simples, apenas sob a pele
Dicas para pacientes e familiares com Doença de Parkinson
O que todo paciente e familiar precisa saber sobre a Doença de Parkinson
Viver com a Doença de Parkinson é um desafio que envolve tanto o paciente quanto sua rede de apoio. Com informação, rotina estruturada e acompanhamento neurológico especializado, é possível manter autonomia e qualidade de vida por muitos anos.
Entenda a doença e o tratamento
O Parkinson é uma doença neurológica crônica e progressiva, causada pela degeneração de neurônios produtores de dopamina. O tratamento busca repor essa substância, sendo a levodopa o principal medicamento.
Com o avanço da doença, ajustes de dose e horários tornam-se fundamentais — e o sucesso do tratamento depende muito da regularidade e precisão na medicação.
Dica prática: use alarmes, planilhas ou aplicativos para manter o controle das doses e anote sintomas como tremor, lentidão ou discinesias para discutir com o neurologista.
A importância da atividade física
A atividade física regular é um dos pilares do tratamento da Doença de Parkinson. Exercícios como caminhada, dança, pilates, hidroginástica ou fisioterapia ajudam no equilíbrio, na força muscular e até na cognição.
Sempre procure profissionais com experiência em pacientes com Parkinson, que saibam adaptar os movimentos de forma segura e eficiente.
Alimentação e rotina diária
- Prefira refeições leves, equilibradas e bem hidratadas.
- Evite consumir alimentos ricos em proteína (carne, leite, ovos) próximos ao horário da levodopa, pois podem interferir na absorção do medicamento.
- Mantenha uma rotina de sono regular — o descanso influencia diretamente nos sintomas motores e cognitivos.
Saúde emocional: cuidar da mente também é tratamento
O Parkinson pode afetar o humor, o sono e a motivação. A depressão e a ansiedade são comuns e devem ser tratadas com a mesma atenção dada aos sintomas motores.
Terapia, meditação, atividades prazerosas e o suporte da família fazem parte do tratamento.
O bem-estar emocional é tão importante quanto o controle motor.
Segurança em casa e prevenção de quedas
Pequenas mudanças fazem grande diferença:
- Retire tapetes e objetos soltos do caminho.
- Mantenha iluminação adequada em corredores e banheiros.
- Instale barras de apoio e use calçados firmes e antiderrapantes.
Essas medidas simples reduzem o risco de quedas e preservam a autonomia do paciente.
Cuidados com cuidadores e familiares
Cuidar de alguém com Parkinson é um ato de amor — mas também exige autocuidado. Dividir tarefas, descansar e buscar grupos de apoio a cuidadores é essencial para evitar sobrecarga física e emocional.
Em resumo
Viver com a Doença de Parkinson é um processo de adaptação contínua.
Com acompanhamento médico especializado, tratamento individualizado e o suporte da família, o paciente pode manter qualidade de vida, independência e bem-estar emocional.
Cada ajuste na rotina — do horário da levodopa à prática regular de exercícios — é uma forma concreta de cuidar do cérebro e do corpo.
Qual é a diferença entre Doença de Parkinson e Parkinsonismo?
Entender a diferença faz toda a diferença
Muitas pessoas usam os termos “Doença de Parkinson” e “Parkinsonismo” como se fossem sinônimos — mas, na verdade, eles não significam a mesma coisa.
Saber diferenciá-los é importante para entender o diagnóstico e o tratamento mais adequado.
🔹 O que é a Doença de Parkinson?
A Doença de Parkinson é uma condição neurodegenerativa primária, causada pela perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, principalmente em uma região do cérebro chamada substância negra.
Essa perda leva aos sintomas clássicos:
- Tremor em repouso (geralmente começando em um dos lados do corpo);
- Lentidão dos movimentos (bradicinesia);
- Rigidez muscular;
- Alterações no equilíbrio e na postura.
A Doença de Parkinson é crônica, progressiva e idiopática, ou seja, sem uma causa externa identificável.
Ela costuma responder muito bem à levodopa, que repõe a dopamina no cérebro — esse é um dos principais sinais que ajudam no diagnóstico.
🔹 O que é Parkinsonismo?
O termo Parkinsonismo não é um diagnóstico, mas sim um conjunto de sintomas que se parecem com os da Doença de Parkinson.
Ele pode ter diversas causas, e nem sempre está ligado à degeneração dopaminérgica típica do Parkinson idiopático.
As principais causas de Parkinsonismo incluem:
- Parkinsonismo secundário a medicamentos, como antipsicóticos e alguns antieméticos;
- Parkinsonismo vascular, por múltiplos pequenos AVCs;
- Parkinsonismos atípicos, como atrofia de múltiplos sistemas (AMS), paralisia supranuclear progressiva (PSP) e degeneração corticobasal (DCB);
- Exposição a toxinas ou traumas repetitivos.
🔹 A principal diferença
A Doença de Parkinson é uma das causas de Parkinsonismo, mas nem todo Parkinsonismo é Doença de Parkinson.
Ou seja:
- No Parkinson idiopático, há degeneração específica de neurônios produtores de dopamina.
- Nos Parkinsonismos secundários ou atípicos, há outras causas que produzem sintomas semelhantes, mas com mecanismos diferentes e resposta menor à levodopa.
🔹 Como o neurologista diferencia
O diagnóstico é essencialmente clínico, mas o neurologista pode utilizar exames para ajudar:
- Ressonância magnética de alta resolução (para descartar lesões vasculares ou degenerativas atípicas);
- SPECT, que avalia o transporte de dopamina e ajuda a diferenciar Parkinson de outras causas;
- Ultrassom transcraniano e ressonância com contraste de neuromelanina, que identificam alterações na substância negra;
- Biópsia de pele, em casos específicos, para detectar o acúmulo da proteína alfa-sinucleína.
Essas ferramentas complementam, mas não substituem o exame clínico detalhado feito por um neurologista experiente.
🔹 Por que isso importa para o tratamento
Identificar corretamente se o quadro é Doença de Parkinson ou outro tipo de Parkinsonismo muda completamente a estratégia terapêutica e o prognóstico.
Enquanto o Parkinson responde muito bem à levodopa e pode ter indicação de estimulação cerebral profunda (DBS) nas fases avançadas, os Parkinsonismos atípicos podem não ter a mesma resposta e exigem outras abordagens.
🔹 Em resumo
Característica | Doença de Parkinson | Parkinsonismo |
|---|---|---|
Causa | Degeneração dos neurônios dopaminérgicos (idiopática) | Secundária a medicamentos, AVC, toxinas ou outras doenças |
Resposta à levodopa | Boa | Parcial ou ausente |
Evolução | Lenta e previsível | Mais rápida e variável |
Diagnóstico | Clínico, com apoio de exames funcionais | Clínico, com investigação da causa subjacente |
🔹 Quando procurar o neurologista
Procure um neurologista especialista em distúrbios do movimento sempre que houver:
- Tremores, rigidez ou lentidão nos movimentos;
- Queda frequente ou desequilíbrio;
- Dúvida sobre o diagnóstico ou resposta irregular à levodopa.
Um diagnóstico precoce e preciso permite tratamentos personalizados e melhora significativa na qualidade de vida.
Por: Ananda Falcone
RQE 199600
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